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A planta que move a economia e a cultura do Sul do Brasil pode estar com os dias contados em boa parte de seu território atual. Pesquisas recentes mostram que a erva-mate (Ilex paraguariensis) – base do chimarrão e do tererê – pode perder até 96% das áreas climaticamente adequadas até 2070, caso o aquecimento global siga o ritmo atual. E, por isso, cientistas pedem zoneamento agrícola.

 

Os resultados, obtidos por meio de modelos de nicho ecológico, acenderam um sinal vermelho entre pesquisadores. “As projeções indicam que a erva-mate vai se concentrar em regiões mais frias e de maior altitude, principalmente na Serra Catarinense, que pode se tornar um refúgio climático essencial”, explica o pesquisador José Wrege, da Embrapa Florestas e envolvido nesse trabalho.

 

Diante do cenário, Wrege defende que o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) crie um zoneamento agrícola específico para a erva-mate. A ferramenta ajudaria a identificar onde o cultivo seguirá viável nas próximas décadas, orientando políticas públicas, investimentos e produtores rurais. “Sem o zoneamento, corremos o risco de perder uma das culturas mais emblemáticas do Sul do País”, alerta o pesquisador.

 

A proposta tem apoio da pesquisadora Márcia Toffani Simão Soares, também da Embrapa, que ressalta a necessidade de ampliar a base de dados agroclimáticos e produtivos. “Precisamos melhorar o registro nacional de produção e o monitoramento climático nas áreas de cultivo, além de considerar fenômenos como El Niño e La Niña, que impactam fortemente a região”, pontua.

 

Apesar de sua grande plasticidade, a erva-mate depende de temperaturas baixas para completar seu ciclo de vida. Com o aumento médio estimado entre 1,8°C e 6,3°C até o fim do século, populações cultivadas em baixas altitudes podem entrar em colapso. “A erva-mate é mais que uma planta – é parte da nossa identidade. Proteger seu futuro é proteger o modo de vida de milhares de famílias do Sul”, afirma Márcia Soares.

 

Sem medidas de adaptação e planejamento, o Brasil pode assistir a uma migração da erva-mate para altitudes cada vez maiores – e à perda de um símbolo cultural e econômico. O zoneamento agrícola surge, portanto, como um passo decisivo para garantir o futuro da espécie e da cadeia produtiva que ela sustenta.


Com informações e imagem da Embrapa Florestas e auxílio da IA Gemini e ChatGPT.

 
 
 

A erva-mate (Ilex paraguariensis), símbolo cultural e econômico do Sul do Brasil, está em alerta vermelho. Pesquisadores da Embrapa Florestas (PR) intensificaram expedições em diferentes regiões do país para coletar material genético da espécie antes que as mudanças climáticas reduzam drasticamente suas áreas de ocorrência natural.

 

De acordo com os cientistas, até 96,4% das regiões climaticamente favoráveis à erva-mate podem desaparecer até 2070, conforme projeções do Projeto Araucamate. O levantamento é resultado de modelagens climáticas que indicam a tendência de migração da planta para áreas de maior altitude, onde as temperaturas permanecem mais baixas.

 

A equipe da Embrapa vem realizando expedições a unidades de conservação e fragmentos florestais, coletando amostras de DNA e sementes de populações naturais da erva-mate em quatro grupos climáticos distintos. O foco está nas bordas da distribuição natural – locais onde há maior variabilidade genética, mas também maior risco de extinção.

 

“Como vai haver redução de área de ocorrência da espécie, é preciso priorizar o resgate genético nas zonas marginais onde há mais diversidade”, explicam os pesquisadores da Embrapa. Essas ações visam formar bancos de germoplasma – coleções vivas de material genético – para proteger a diversidade e garantir que futuras gerações possam contar com plantas adaptadas a altas temperaturas, seca e novas doenças.

 

“Conservar materiais de cada grupo garante que tenhamos recursos genéticos para programas de melhoramento futuros”, explica Ananda Virginia de Aguiar, pesquisadora envolvida no projeto. Ela ressalta que, apesar dos avanços, ainda há lacunas importantes. “A Embrapa já possui uma quantidade considerável de material, mas precisamos ampliar as coletas, especialmente no Rio Grande do Sul, que abriga populações geneticamente muito ricas.”

 

As pesquisas reforçam a urgência de investimentos em conservação e pesquisa genética, fundamentais para a resiliência da cadeia produtiva do mate e a preservação da biodiversidade dos ecossistemas do Sul e Sudeste do país.

 

Com informações e imagem da Embrapa e formatação via ChatGPT.

 
 
 

A Erva-mate (Ilex paraguariensis), símbolo cultural do Sul do Brasil e base do tradicional chimarrão, enfrenta um futuro incerto diante das mudanças climáticas. Estudos da Embrapa Florestas (PR) apontam que o aumento das temperaturas e a alteração no regime de chuvas podem reduzir drasticamente as áreas aptas para o cultivo e a sobrevivência da espécie – que tem sua existência intimamente ligada ao bioma Mata Atlântica.

 

No âmbito do Projeto Araucamate, os pesquisadores alertam para uma possível redução de até 96,4% das áreas climaticamente favoráveis à erva-mate até o ano de 2070, dependendo do cenário de emissões de gases de efeito estufa. O levantamento reforça a urgência de políticas de mitigação e adaptação que garantam a conservação e o manejo sustentável da espécie.

 

Outro estudo, publicado na revista Agrometeoros, utilizou a técnica de modelagem de nicho ecológico – que combina informações de clima, relevo e distribuição geográfica da planta – para prever o comportamento da erva-mate diante do aquecimento global. Os resultados mostram que, nas próximas décadas, a planta tende a se concentrar em áreas de maior altitude, onde as temperaturas permanecem mais amenas.

 

“Com o aumento da temperatura, o ambiente se tornará menos favorável ao desenvolvimento da espécie. A erva-mate deve sobreviver em algumas regiões, mas com grande perda de diversidade biológica e redução no número de populações”, explica o pesquisador Marcos Silveira Wrege, líder do projeto.

 

Distribuição e diversidade da erva-mate

A erva-mate ocorre em quatro grandes regiões do Brasil, cobrindo uma ampla faixa no Sul, parte do Sudeste e uma pequena área do Centro-Oeste – especialmente no sul de Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a planta se adapta tanto às áreas frias e úmidas do inverno quanto aos verões quentes e secos. A adaptação da erva-mate a diferentes ambientes demonstra uma plasticidade adaptativa superior à da araucária, com a qual compartilha o mesmo habitat em muitas regiões”, explica a pesquisadora, Elenice Fritzsons, da Embrapa Florestas.

 

📊 Fontes: Embrapa Florestas | Revista Agrometeoros

📸 Imagem sugerida via ChatGPT de Plantação de erva-mate em áreas de altitude no Paraná (licença livre — Wikimedia Commons)

 
 
 
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