top of page

Em um marco histórico para a agricultura sustentável, o sistema tradicional de Erva-mate sombreada e agroecológica do Paraná foi oficialmente reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como Sistema Importante ao Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM). A cerimônia de entrega dos certificados ocorre no dia 31 de outubro de 2025, próxima sexta-feira, na sede da FAO em Roma na Itália.


Este reconhecimento internacional valoriza e protege sistemas agrícolas vivos que combinam biodiversidade, conhecimento tradicional e paisagem cultural única, elementos presentes no manejo agroecológico desse sistema paranaense. Em meio às Florestas com Araucária, a Erva-mate assegura o sustento de famílias agricultoras, protege práticas culturais locais e reforça a integração de espécies nativas.


O sistema envolve comunidades tradicionais como os faxinais e destaca a importância da agricultura familiar, sendo marcado pelo protagonismo de mulheres e jovens na sua manutenção. Integrando 11 municípios do Sul e Centro-Sul do Paraná.


Importância do reconhecimento global

Laureen Silva, presidente do CEDErva, expressou a satisfação com o reconhecimento: “O SIPAM abre portas importantes para valorizar sistemas em risco que guardam nossa biodiversidade e cultura. Essa visibilidade ajuda a mostrar ao Brasil e ao mundo a preservação que existe aqui, fomentando uma cadeia de produção mais justa e sustentável, com melhores condições para as famílias agricultoras.”


Ana Paula Wenglarek, agricultora familiar e técnica do CEDErva, destacou que o reconhecimento contribui para a valorização e conservação desses sistemas ameaçados e promove uma cadeia produtiva mais justa. Para Nelson Dias da Silva, Coordenador Regional Centro-Sul da FETRAF-PR, enfatizou a importância do momento: “Representar as famílias de agricultores neste momento histórico é uma grande satisfação. Acreditamos na força dos agricultores e nas parcerias que tornaram esta conquista possível.”


Destaque e benefícios

O programa SIPAM/GIAHS da FAO reconhece sistemas que se destacam pelo valor agrícola e biodiversidade, conhecimento tradicional, resiliência socioambiental, paisagem cultural viva e governança comunitária. Este selo abre acesso a uma rede global de cooperação técnica, intercâmbios e visibilidade, mas não implica repasses financeiros automáticos, tombamento ou Indicações Geográficas.


Entre os benefícios esperados para o Paraná estão a valorização dos mercados, estímulo ao turismo cultural, parcerias acadêmicas e setoriais, transmissão de saberes às novas gerações e conservação ativa em convivência com a floresta.


Passo seguinte

Após a cerimônia, se abre um novo ciclo com a elaboração de um Plano de Ação para Conservação Dinâmica, a criação de um Comitê de Governança envolvendo agricultores e pesquisadores, e um monitoramento contínuo para garantir a sustentabilidade do sistema.

A programação da cerimônia inclui sessão de abertura, entrega dos certificados, foto oficial, inauguração de exposição e apresentações culturais com degustação da tradicional erva-mate.


Esse reconhecimento da FAO não só celebra a riqueza cultural e ambiental do Paraná, mas também fortalece o caminho para a sustentabilidade na agricultura familiar brasileira.


Com informações da CEDErva e imagem pública com formatação via IA ChatGPT, Gemini e Perplexity.


 
 
 

Enquanto estudos mostram que mudanças climáticas podem afetar a erva-mate, símbolo da cultura sul-brasileira, a planta tende em ganhar um papel mais importante na luta contra esse problema. A Embrapa Florestas e a Fundação Solidaridad desenvolveram uma ferramenta inédita: a Carbon Matte, uma calculadora de carbono capaz de medir os estoques de carbono e as emissões de gases de efeito estufa (GEE) no cultivo da erva-mate.

 

A tecnologia permite avaliar o balanço de carbono das propriedades rurais e indústrias do setor, considerando as práticas de manejo adotadas. Assim, produtores e empresas poderão quantificar o impacto ambiental de seus sistemas produtivos, adotar estratégias mais sustentáveis e até mesmo certificar produtos ambientalmente responsáveis.

 

Segundo a pesquisadora Josileia Zanatta, da Embrapa Florestas, os primeiros resultados são animadores. “A ferramenta permitirá quantificar a contribuição dos sistemas de produção da espécie para a mitigação das emissões de GEE e testar combinações de manejo que resultem em cenários mais promissores para a qualidade ambiental”, cita.

 

Os dados iniciais apontam para um balanço de carbono negativo — ou seja, a erva-mate remove mais CO₂ da atmosfera do que emite, funcionando como um importante sumidouro de carbono. A iniciativa se alinha ao Programa Nacional de Cadeias Agropecuárias Descarbonizantes (Carbono + Verde), do Ministério da Agricultura (Mapa), e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 13) da ONU, voltados ao enfrentamento da mudança climática.

 

Além de reforçar o papel ambiental da erva-mate, a Carbon Matte pode se tornar uma ferramenta estratégica para mensurar ativos ambientais e valorizar economicamente sistemas produtivos sustentáveis – um passo essencial para o futuro verde da agropecuária brasileira. Com informações e imagem Embrapa e edição de imagem e texto com auxílio do ChatGPT e Gemini.

 
 
 

Além de conservar a biodiversidade, os estudos climáticos estão ajudando a definir onde e como plantar a erva-mate do futuro. As pesquisas permitem indicar áreas prioritárias para o cultivo e selecionar materiais genéticos mais resistentes a condições extremas. Passível de zoneamento agrícola, por meio do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), para identificar onde o cultivo seguirá viável nas próximas décadas, orientando políticas públicas, investimentos e produtores rurais.

 

“No futuro, esses estudos poderão apoiar também a escolha de modelos silviculturais mais adequados a cada tipo de solo e clima, garantindo maior proteção às lavouras frente a eventos climáticos atípicos”, explica a pesquisadora Márcia Toffani Simão Soares.

 

Mas o tempo é curto. “As mudanças estão acontecendo 20 ou 30 anos antes do previsto”, alerta explica o pesquisador José Wrege, da Embrapa Florestas e envolvido nesse trabalho. “Se nada for feito, em 50 anos as transformações serão enormes. Ainda assim, com planejamento e investimento em conservação, é possível garantir um futuro para a erva-mate e para todos que dependem dela.”

 

De acordo com o Sexto Relatório de Avaliação (AR6) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), publicado em 2023, as projeções de aumento da temperatura até o final do século variam conforme as ações humanas. No cenário otimista (forte mitigação, SSP1-1.9), a temperatura média global pode se estabilizar em 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, o que exigiria cortes drásticos nas emissões e uma transição rápida para energias limpas – medidas que ainda não estão acontecendo.

 

Já o cenário pessimista (altas emissões, SSP5-8.5) projeta um aumento de até 4,4°C até 2100, com impactos severos e irreversíveis. “O planeta já aqueceu cerca de 1,1°C, e cada décimo de grau intensifica eventos extremos como ondas de calor, estiagens e chuvas torrenciais”, explica Wrege.


Com informações e imagem Embrapa e edição de imagem e texto com auxílio do ChatGPT e Gemini.


 
 
 
bottom of page